|
Arivaldo Fontes - um agente da cultura sergipana no Rio de Janeiro*
12/05/2008,
15:05
O falecimento do coronel, professor e escritor Arivaldo Silveira Fontes, sergipano de Riachão do Dantas, ocorrido ao apagar das Luzes do mês de abril último (dia 30), no Rio de Janeiro, além da lacuna que abriu na presença ativa de um co-estaduano dos mais ilustres, em vários setores da cultura e da administração em que ele ainda atuava, representou a perda de um verdadeiro agente cultural de Sergipe, no sul do país e especialmente no Rio de Janeiro, onde ele residia.
Nascido em Riachão do Dantas, aos 18 de junho de 1923, Arivaldo já estava próximo de completar os 85 anos de idade, dos quais mais de metade foram vividos no centro-sul do país, para onde, ao terminar os seus estudos primários e secundários em Riachão e Aracaju, seguiu, visando abraçar a carreira militar. Este objetivo foi por ele alcançado com o término dos seus estudos superiores, em 1946, na Escola Militar de Rezende (RJ), quando foi declarado Aspirante a Oficial do Exército, e depois da haver passado, até 1944, pela Escola Preparatória de Cadetes de Porto Alegre (RGS). Já ai o estudante das armas e futuro Coronel do Exército, que, aliás, desde os estudos primários em Riachão, revelara seus pendores intelectuais, escrevendo dissertações nos cadernos escolares e, mais tarde, no curso ginasial em Aracaju, redigindo jornais de Diretórios estudantis, logo se integrou à Redação da revista da Escola de Cadetes onde, ao lado dos assuntos de interesse da Escola, nunca esquecia de falar das reminiscências de sua vida riachãoense e sergipana Esta linha de apego às cousas de seu Estado e da sua cidade natal foi sempre desenvolvida ao longo de toda a sua vida profissional como militar e também em cargos e funções civis que veio a desempenhar, após ter passado para a reserva do Exército ou mesmo antes, ao ser cedido para outros setores. Entre os vários órgãos de imprensa em que colaborou, podem ser citadas as revistas: "Aspiração" e "Ombro a Ombro" nas escolas militares que freqüentou e a "Revista do Clube Militar", de que foi editor, além de muitos outros órgãos de imprensa, pertencentes aos Institutos Históricos e Geográficos do país, e para os quais sempre escrevia. Nesses órgãos, ao lado dos temas específicos e científicos, oriundos dos seus estudos acadêmicos e de suas pesquisas, ele sempre incluía matérias literárias relacionadas com a vida e personagens sergipanos, transmitindo, continuamente para os leitores, aspectos de ordem sociológica, política, cultural ou mesmo folclórica, dos ambientes e personagens enfocados.
Na vida militar recebeu sucessivas promoções até ser passado para a reserva na patente de Coronel. Frequentou inúmeros cursos e ciclos de estudos, da Escola Superior de Guerra e também cursos acadêmicos que o habilitaram inclusive ao magistério militar e civil, exercido no Colégio Militar, no Colégio Pedro II e como professor catedrático em faculdades de Universidades do Distrito Federal. Foi Chefe do Gabinete do Ministro da Guerra, na gestão Teixeira Lott e em 1963, cedido ao Governo de Sergipe, foi nomeado Secretario de Segurança Pública na gestão Seixas Dória, cargo que desempenhou com extraordinário equilíbrio e lealdade, num momento turbulento da vida do Estado e do País que culminou com golpe militar de 1964. Na oportunidade, tendo o Governador Seixas Dória tornado parte no comício que provocou a derrubada do Presidente João Goulart, achando-se ele no Rio de Janeiro, acompanhou o mesmo Governador de volta a Aracaju, enfrentando o risco de desagradar o novo Poder Militar, já em formação e sofrer severas punições. Com a derrubada e prisão do Governador, tendo em vista sua atuação equilibrada, foi ele ainda distinguido com a nomeação pelo Governo Celso de Carvalho, para a Secretaria de Educação, não chegando, porém a empossar-se em virtude do veto ao seu nome, pelo novo Presidente da Republica. Depois disto, porém, Arivaldo Fontes ainda prestou serviços ao país, como Diretor Geral do SENAI, na gestão Albano Franco, na CNI, e como presidente da Fundação Osório, do Rio de Janeiro. Como escritor foi autor dos Livros "Vultos do Ensino Militar", "Breve Introdução a História dos Colégios Militares do Brasil" - este em parceria com o Prof. Antônio Joaquim de Figueiredo - e "Figuras e Fatos de Sergipe", em que revela todo o seu interesse em projetar os temas e personagens sergipanos, no mundo cultural brasileiro.
*Artigo de João Oliva Alves - Transcrito do Jornal Correio de Sergipe • Aracaju
06 de maio de 2008
|
|