Ibarê Dantas
Os periódicos tiveram um papel dos mais relevantes no desenvolvimento intelectual de Sergipe. Diante da sucessão de publicações, alguns pesquisadores interessaram-se pelo assunto. Em 2001, Itamar Freitas e Jorge Carvalho elaboraram um projeto com três etapas: inventário e catalogação; editoração dos sumários e publicação da bibliografia comentada sobre educação. Ao fazerem o inventário, os referidos professores publicaram um artigo substancioso no número 9 da Revista de Aracaju em 2002.
Paralelamente também vínhamos investigando os periódicos e publicamos uma relação na História de Sergipe – República (2004). Apesar das experiências precedentes, restava completar o levantamento e elaborar um Sumário de todos os órgãos, tarefa que foi levada a efeito pelos servidores do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe por meses seguidos. Afinal, em 2008, foi divulgado em CD o Sumário das Revistas de Sergipe, impressas em 1.700 páginas de papel A4, abrangendo o período de 1882 a 2008. Ao todo, foram registradas nada menos de 155 revistas que circularam no Estado no curso de 126 anos.
A maioria dos periódicos teve duração efêmera. Mas cada um revelou sua importância, e alguns se destacaram pela qualidade de seus textos, pela relevância à cultura sergipana e pela continuidade. Numa amostra aleatória, podemos lembrar as Revistas: Agrícola, Alvorada, Aracaju Magazine, da Academia Sergipana de Letras, da Associação Sergipana de Imprensa, de Aracaju, da Faculdade de Direito de Sergipe, entre numerosas outras, como A Sergipana, Sergipe Judiciário e assim sucessivamente.
É um repertório valioso para os estudiosos interessados em saber o que os sergipanos produziam, publicavam e liam em suas Revistas ao longo de mais de um século. Como vivemos num tempo de abundância de informações, quando o problema passou a ser a seleção, poucos deram importância ao aparecimento desse Sumário, destinado, sobretudo, a facilitar o trabalho dos pesquisadores.
Entre todos os periódicos, o do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe é dos mais importantes. A publicação, cujo primeiro número saiu em 1913, continua sendo produzida ainda hoje, embora tenha deixado de circular por alguns períodos. As dificuldades financeiras e a falta de apoio deixaram a sociedade por vários anos sem a Revista do IHGSE, mas ela superou momentos de crise e, desde 2004, vem sendo editada anualmente como órgão representativo de nossa produção intelectual.
O professor Itamar Freitas estudou criteriosamente o conteúdo de sua produção no período de 1913 a 1999. Analisou o tipo de escrita que foi editada, avaliou a qualidade de seus artigos, observou a frequência das temáticas publicadas e constatou que a Revista “apresentou-se como uma amostra privilegiada e prática” de “dois saberes (biografia e a memória) e de algumas demandas da sociedade local”.
Observe-se que a Revista do IHGSE quase sempre se mostrou muito aberta à participação da intelectualidade sergipana e, durante décadas, foi o principal periódico difusor dos estudos sergipanos, firmando-se como referência obrigatória sobre os estudos de ciências humanas em Sergipe.
Ultimamente encontra-se registrada no ISSN sob o número 1981-7347 e, recentemente, foi cadastrada no Programa Qualis da CAPES/MEC, que avalia os veículos de divulgação da produção científica no Brasil.
O esgotamento de suas edições anteriores tornou difícil a consulta à maioria dos seus números, levando o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em 2007, a digitalizá-las e disponibilizar todos os números em DVD e pela internet em seu site www.ihgse.com.br.
No próximo dia 06 de agosto, quando o Instituto completará 97 anos de existência, deverá ser lançado o número 38, trazendo novas contribuições à História e a Geografia de Sergipe. Começa com um artigo enfrentando a controvertida questão da primitiva localização de São Cristóvão, seguido por texto sobre as fronteiras entre Sergipe e Bahia, objetos de litígios que têm se renovado periodicamente e se arrastado por décadas sem atender aos pleitos dos sergipanos.
Outro tema oportuno, sobre o qual já existem alguns estudos, mas está a carecer de maiores contribuições, refere-se à epidemia de cólera-morbus que afetou Sergipe em 1855. Seguirão dois trabalhos diferenciados, porém com pontos de identificação, quais sejam a sociabilidade de africanos livres no Vale do Cotinguiba e os festejos de São João em determinada artéria de Aracaju.
Ainda no número 38, várias personalidades serão estudadas, como o Barão de Maroim, a propósito do seu bicentenário de nascimento, o grande jurista sergipano Gumersindo de Araújo Bessa, cujo nascimento completa 150 anos, os médicos militares sergipanos que atuaram em Canudos, e alguns mestres que marcaram o magistério sergipano.
Nas páginas de saudades, evocamos dois dos mais eminentes intelectuais sergipanos falecidos este ano, Manuel Cabral Machado e Mário Cabral. Serão transcritas também três palestras e, na parte de documentos inéditos, publicamos fac-símile de quatro cartas bastante expressivas, que integram o acervo do IHGSE.
A Revista número 38 do IHGSE será a quinta consecutiva da atual gestão, assegurando sua circulação anual. Os números 33 e 34 foram patrocinados Secretaria de Estado Cultura, enquanto que os subsequentes foram publicados dentro do convênio com a UFS, que vem garantindo assim a presença continuada do órgão mais antigo e dos mais relevantes do Estado.